À

Folha de São Paulo

 

 

O objetivo da imprensa é informar. A Folha de São Paulo faz isto muito bem. Isto está claro. Mas por que algumas informações são divulgadas e outras não? São usados alguns critérios como credibilidade da fonte, a relevância, o que acrescenta à matéria a informação e outros critérios que os meios de comunicação tem a liberdade de usar.

 

Na reportagem de 24/04/09 sobre a Oficial de Justiça Sandra Regina Ferreira que foi assassinada quando cumpria uma ordem judicial, Mandado de Busca e Apreensão de uma moto, informação mentirosa foi fornecida pelo assassino confesso no momento de sua prisão, algumas horas após o crime bárbaro. Aqui abrimos um parênteses para dar parabéns ao trabalho eficiente da polícia, em especial à equipe da 92 DP.

 

Segundo este jornal o assassino teria dito no momento da sua prisão que a Oficial de Justiça Sandra teria cobrado dele R$ 1.500,00 para não levar a moto. Ora, um pouco de raciocínio lógico demonstra que esta afirmação é uma atitude de um desequilibrado mental e que a própria mãe se sentiu aliviada que tivesse voltando para a cadeia pois a intenção dele era matá-la também.

 

Se um miserável como ele não tinha dinheiro para pagar uma prestação da moto de R$ 300,00, aproximadamente, como teria ele R$ 1.500,00 para dar à Oficiala? Sandra Regina era uma profissional inteligente e honesta. Outra questão derruba tal mentira, o representante do banco que efetivamente iria levar a moto estava acompanhando a Oficial de Justiça em todas as vezes em que ela foi cumprir a ordem judicial; como ela poderia pedir dinheiro para “esquecer” a dívida na frente do representante do banco? Lembremos que no dia da fatalidade o representante do banco foi chamado pela Oficial para estar junto dela e ele só não teve o mesmo fim trágico porque chegou cinco minutos atrasado da hora marcada.

 

O que pode ter acontecido, foi que esse pedido de R$ 1.500,00 fora realizado por algum representante do banco querendo negociar a dívida já que o devedor devia três parcelas da moto. Essa negociação deve ter se realizado por telefone antes do banco ajuizar a ação na justiça e antes de ser expedido o mandado de busca e apreensão da moto. Como ele é um desequilibrado confundiu tudo.

 

A pergunta que fica é a quem interessa a divulgação dessa informação que é obviamente mentirosa? Quem ganha com a publicação de tais palavras que ofendem a vítima, a sua família e toda a Classe dos Oficiais de Justiça? Já não basta a dor de todos? Qual foi o objetivo e critério usado pela Folha de São Paulo ao publicar tal explícita inverdade?

 

RONALDO CURUMBA

 

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA AVALIADORES DO ESTADO DE SÃO PAULO – ASSOJASP

 

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