17/11/11
O PODER E O PERIGO DAS CENTRAIS DE MANDADOS
O poder é um perigo!
O perigo não é só para quem que o exerce, mas também para aqueles que estão próximos.
O poder deve ser exercido como verbo (poder, “eu posso fazer algo”) e não como substantivo (poder, força).
Só pode possuir o poder quem teve sabedoria para conquistá-lo e exercê-lo e não por aqueles que o ganharam gratuitamente por herança.
“Pai poderoso, filho ditador e neto destruidor”. Em outras palavras, o pai conquista o poder, o filho o mantém através da força e o neto proclama guerras para não perdê-lo.
O sábio conquista o poder ouvindo as pessoas e respeitando as diferenças de cada um. Logo, são necessárias duas qualidades: ouvir e enxergar.
O problema é que quando o poder é herdado de “pai para filho” essas duas qualidades nem sempre são repassadas. Logo, como o novo detentor do poder não sabe “ouvir” nem “enxergar” a saída é gritar os mesmos xingamentos para todos, indistintamente.
O TJ/SP, como de resto a maioria dos tribunais estaduais do Brasil, são detentores de poder herdado de vários pais e avós do passado. Agora, o tataraneto não sabe ouvir ou enxergar.
O exemplo mais recente é o que está acontecendo no fórum da Barra Funda.
Primeiro foi a decisão de implantar a Central de Mandados da Barra Funda (CMBF). Não é só uma questão de ser contra ou a favor da implantação de Centrais de Mandados em todos os fóruns, até porque a ASSOJASP é, em tese, a favor. O problema é a forma pela qual estão sendo implantadas nas várias comarcas: de forma açodada sem ouvir os maiores envolvidos e sem corrigir os problemas resultantes já conhecidos. O mesmo gabarito equivocado de instalação de Centrais de Mandados estará sendo usado na CMBF .
Agora, em segundo, a decisão também açodada de mudar o sistema dos computadores das varas, de Prodesp para SAJ.
Vale lembrar que na proposta inicial a CMBF iria ser instalada sem mudar o sistema nas varas e o SAJ só iria ser instalado na CMBF, a exemplo de alguns fóruns da grande SP. Inclusive esta foi a proposta que a ASSOJASP enviou ao TJ/SP há cinco anos.
Mas a ideia de alguns iluminados foi: se é para mudar o trabalho dos OJs, por que não mudar tudo! Bem, a CMBF já vai nascer como o grande estigma de ser a responsável por todos os problemas que as varas da Barra Funda estão sofrendo.
Até agora quem tem sofrido e sido responsabilizado por um planejamento capenga nas implantações das Centrais de Mandados nos fóruns foram somente os OJs. A Barra Funda inovou nesse processo, estão usando as mesmas ferramentas comumente usadas na implantação das Centrais de Mandados para implantar o novo sistema nas varas. O caos agora é generalizado.
Em qualquer upgrade ou migração de sistemas em qualquer empresa séria é necessário um estudo minucioso, um ouvir as partes envolvidas e respeitar as particularidades de cada área. Mas, como foi dito, o poder herdado leva à surdez e à cegueira.
O bom senso de qualquer migração diz que: ou se migra tudo de uma só vez ou se mantém os dois “sistemas” (não só sistemas de computador mas também sistemas de trabalho) simultaneamente até que o velho sistema acabe por si só.
Tanto um caminho quanto o outro tem prós e contras. Mas seja lá qual a maneira que venha a ser escolhida numa migração, tudo dependerá de um estudo profundo e detalhado dos impactos. Coisa que não tem sido feito...
Nenhum juiz ou desembargador poderá pegar sua caneta e dar uma sentença nos seguintes termos: “sentencio que o sistema SAJ seja implantado no fórum da Barra Funda em substituição ao sistema Prodesp no prazo de 15 dias sem nenhum problema e que todos os envolvidos fiquem felizes”. Nem Deus não seria tão prepotente.
Essa migração não está sendo feita em uma empresa de papel na qual os envolvidos são alguns funcionários, fornecedores mais próximos e papéis.
Se não notaram vale reforçar, essa migração está sendo feita no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Isso significa que envolve 50 mil funcionários, 20 milhões de processos, centenas milhões de cidadãos, advogados, empresas, etc..etc...
O mais importante: envolve vidas!
Esperamos que o TJ/SP aprenda a lição e veja e ouça que as Centrais de Mandados que estão sendo implantadas não estão funcionando não por causa dos OJs. Não estão funcionando porque o esquadro usado na sua implantação está errado, fora do padrão do bom senso.
O poder do TJ/SP tem que ser exercido não com canetas Mont Blanc, mas com ouvidos e olhos bem abertos ao bom senso.
O primeiro contato que os OJs da Barra Funda tiveram com o TJ/SP para discutir a CMBF foi desastroso. Os funcionários do TJ/SP responsáveis por este contato trouxeram somente a notícia da implantação da CMBF e nada mais. É possível acreditar que não houve má fé e que eles realmente não tinham nenhuma outra informação mais precisa. Porém, apesar da boa vontade desses funcionários, o que não poderiam e nem podem fazer é jogar a sujeira que as Centrais de Mandados já implantadas estão gerando por pura falta de conversação com os OJs e falta de estrutura adequada. Admitir os erros nas Centrais de Mandados já implantadas e não repeti-los na implantação da CMBF é uma maneira inteligente de aprender com os erros.
Mas nem tudo é só tempestade. Há uma luz no final do túnel que parece não ser um trem no sentido contrário. A comissão de representantes dos OJs da Barra Funda iniciaram uma conversação sincera e objetiva com o diretor do Fórum da Barra Funda, dr. Alex Tadeu Monteiro Zilenovski.
Este juiz tem deixado claro que para o sucesso da implantação da CMBF os OJs da Barra Funda deverão ser ouvidos e respeitados em suas necessidades pelo juiz que será o corregedor da CMBF . Este espírito de “ouvir” e “enxergar” é fundamental para o sucesso da implantação da CMBF e para a minimização dos problemas que, inevitavelmente, ocorrerão.
Os OJs da Barra Funda estão dispostos a ajudar na implantação da CMBF. Se este processo vier com o diálogo e o bom sendo com certeza todos sairão ganhando.