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11/01/10

EQUILÍBRIO E BOM SENSO

 

 

         A luta sindical exige dos dirigentes dos trabalhadores força e disposição para as batalhas com vistas a conquistar os direitos que não são reconhecidos. Contudo, isso só não basta. São necessários outros predicados das lideranças que são o equilíbrio e bom sendo.

 

         Na história sindical dos Oficiais de Justiça de SP muito se perdeu ou se deixou de conquistar por arrogância e desequilíbrio de quem se dizia liderança.

 

Hoje brigamos em várias frentes, entre elas a do nível superior. Mas, os mais antigos poderão confirmar que na década de 80 um deputado estadual elaborou um projeto de lei que iria garantir o nível superior para os OJs. Tudo estava certo para sua aprovação na Assembleia Legislativa. No momento da votação do projeto de lei o deputado que havia “costurado” com o executivo e judiciário a sua aprovação pediu para fazer um discurso para a centena de Oficiais de Justiça que lá estavam. Nada mais justo um político querer capitalizar para si algo que ele mesmo fez acontecer! Acontece que no momento do seu discurso, repito, momentos antes de se aprovar o nível superior, uma “liderança” com o desrespeito que lhe é típico arrancou o microfone de suas mãos e falou que não queria nada de um deputado da “direita”. Então, esse deputado da “direita”, com toda a razão, rasgou o projeto de lei na cara dos presentes e se retirou do plenário. Essa atitude insana dessa “liderança” atrasou mais de 20 anos a conquista do nível superior.

 

Esse é só um dos exemplos de desequilíbrio e arrogância vindos de quem não poderia jamais se portar dessa maneira. Por causa desse tipo de postura é que a luta sindical dos Oficiais de Justiça de SP se estagnou nos últimos 25 anos.

 

         A ASSOJASP em meados de 2008 negociava com o TJ/SP a elaboração de um projeto de lei que iria transformar o cargo de Oficial de Justiça em nível superior. O des. Samuel Jr. era o responsável por parte do TJ/SP por esta elaboração. Inicialmente a proposta por parte deste foi que ao mudar para nível superior não haveria aumento salarial e que os atuais OJs teriam sete anos para fazer um curso superior. A ASSOJASP argumentou que o aumento salarial era inevitável pois passaríamos para o mesmo nível dos psicólogos, assistentes sociais e engenheiros. Então ele aceitou que o salário seria de R$ 3.900,00, para o início de carreira (hoje é de R$ 3.100,00). Sobre a necessidade dos OJs fazer em sete anos um curso de nível superior, a ASSOJASP demonstrou que isso não era aceitável e como exemplo apresentou o caso dos contadores que anos atrás o cargo era de nível médio e passou a ser de nível superior com aumento salarial sem exigir dos servidores que já estavam nesse cargo que fizessem o curso superior; outro exemplo foi dos agentes de fiscalização que antes era nível básico (primário) e passou a ser secundário com aumento salarial sem exigir o diploma do curso secundário para os já ocupantes do cargo. Por fim, a ASSOJASP conseguiu, sem agressões e com argumentos de bom senso, que o TJ/SP elaborasse um projeto de lei ideal. Mas eis que outra “liderança” usou de arrogância e palavras agressivas a ponto de fazer com que o TJ/SP “fechasse as portas” e “engavetasse” o projeto de lei já finalizado. Todo o trabalho feito pela ASSOJASP “foi por água abaixo”.

 

         Agora, aparece no site da outra “liderança” uma resposta do TJ/SP a um ofício que aquela havia enviado com várias perguntas. De forma desequilibrada e vergonhosa essa “liderança” faz pseudo perguntas que na verdade são ofensas desnecessárias ao TJ/SP. É claro que nos revolta os pareceres 121 e 202 que modificou a forma de cálculo das diligências da justiça gratuita. Todavia, nada justifica agressões despropositadas ao TJ/SP. Esse tipo de desequilíbrio só tem prejudicado nos últimos 25 anos a luta pelos nossos direitos.

 

         Disposição de luta, equilíbrio e bom senso são características que os Oficiais de Justiça exigem de suas lideranças. Fora isso, é puro anacronismo de alguém que "perdeu o pé" da realidade e demonstra muito, mas muito desequilíbrio.

 

Por: Ronaldo Curumba

 

 

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