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25/05/10

 

EU ESTAVA LÁ!

 

Nunca imaginei que chegaria a tal ponto!

Dia 12 de maio de 2010 eu estava lá, na Praça João Mendes, quando fui arrastado para a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Levado por gritos de dirigentes de associações de servidores do Judiciário, centenas, senão, milhares de servidores se deslocaram até aquela Casa visando a aprovação de nosso tão sonhado Plano de Cargos e Carreiras.

Eu estava lá e vi, quando movido por promessas de que aquele plano somente seria aprovado pelos deputados estaduais se fôssemos até lá e mostrássemos nossa força!

Eu estava lá e com muita dificuldade e destreza consegui entrar no plenário principal da Assembléia Legislativa para assistir “cara a cara” o que vim a descobrir depois ser um drama teatral, aparentemente montado para que aqueles que o vissem pudessem achar que a pressão popular seria o grande trunfo para a aprovação da EAS nº25.

O que se viu, na verdade, foram servidores já sofridos pelo arrocho salarial, esperançosos que estavam pelo “plano milagroso” que traria benefícios a todos. E eu estava lá!

Entre os 300 que assistiam à sessão plenária, pouquíssimos Oficiais de Justiça, contrários àquele plano, se sentiram massacrados pela esmagadora maioria de escreventes que gritavam e afirmavam que aquele plano lhes trariam imensos benefícios, e, exultantes, aplaudiam a cada palavra que os deputados que ali discursavam proferiam. E olha que eu estava lá e vi uma “campanha eleitoreira de luxo”, regada a servidores deslumbrados pelas palavras dos excelentíssimos deputados.

De um lado, parlamentares da situação que elogiavam o presidente da Casa, o qual, segundo eles, há muitos dias não dormia preocupado pela aprovação daquele plano. Alguns, ainda, elogiavam o Governo do Estado por ter encontrado uma forma miraculosa de nos arranjar verba, já que não havia dinheiro para tanto.

De outro lado (e eu estava lá!), deputados da oposição dizendo-se surpresos com o tempo em que aquele plano encontrava-se na Casa para ser votado. Um deles, e eu estava lá, disse que com as últimas alterações feitas (com o aumento da GETJ para 15,51% e a inclusão do artigo 3º das disposições finais) o PCC não traria perdas aos servidores. Confesso que não entendi; foi incluso um artigo para que não houvesse perda salarial? E este plano não era para trazer benefícios aos servidores? E olha que os servidores do plenário da ALESP o aplaudiram... E eu estava lá!

Com a aprovação do plano, os ocupantes do plenário gritaram e comemoraram como nunca... Nas ruas ao redor da Assembléia carreata e “apitaço” celebravam a grande conquista dos servidores do Judiciário paulista.

Eu estava lá e vi dirigentes de algumas associações e um deputado (carregado de adesivos no paletó) sobre um carro de som festejando a vitória dos servidores pela aprovação do PCC.

O que aconteceu realmente naquele dia eu não sei. O que se tem por certo é que eu vi pais de família desesperados, servidores com uma ponta de esperança em algo que não trouxe absolutamente nada!

Eu estava lá e vi servidores (provavelmente de outras categorias) no plenário da ALESP dizendo que o plano deveria ser aprovado na marra e que Oficial de Justiça tinha que se “f........”. Sinceramente não os culpo, pois o que foi passado a eles o tempo todo era que os Oficiais de Justiça não queriam a aprovação do PCC por tirar-lhes os 150% do RETJ. Hoje, conversando com meus colegas escreventes, são eles unânimes em afirmar que eu estava certo naquele dia e a EAS nº25 não poderia ter sido aprovada de forma alguma. Não sabiam eles que os 15,51% trariam aos Oficiais de Justiça pouco mais de R$200 reais para que trabalhassem aos sábados, domingos e feriados, e durante a semana em horários fora do expediente normal de trabalho (na iniciativa privada, quanto ganham aqueles trabalhadores que trabalham fora de seu horário normal? Quanto ganham pelo serviço insalubre?).

Não sabiam eles que aquele plano lhes trariam apenas alguns reais a mais no hollerith (para muitos, o aumento não chega a 3%; para outros, há perda no salário a ser compensada pelo complemento de enquadramento). A esmagadora maioria daqueles que foram arrastados à ALESP não sabiam sequer que havia um plano de cargos e carreiras a ser aprovado.

Quem os fez acreditar na aprovação daquele plano? Quem os incitaram contra os Oficiais de Justiça? Eu sei quem foi... Afinal, eu estava lá!

 

Escrito por Wilson Tavares – Oficial de Justiça do Interior de São Paulo há 22 anos.

 

 

 
Associação dos Oficiais de Justiça, Avaliadore, do Estado de São Paulo  ASSOJASP   Oficiais de Justiça 
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